Uma reflexão sobre a ditadura da beleza...

           Quando se fala em “ditadura da beleza”, está se falando de algo que nos tira a liberdade de vestir como queremos, de nos comportar e cuidar da aparência ao nosso gosto. A indústria da moda e da beleza é que dita as regras, pelo menos é o que vemos na realidade com a massificação do pensamento e da moda...
           Estudos revelam que nunca as pessoas gastaram tanto dinheiro com cosméticos, vestuário e tempo nos salões de beleza e com cirurgias plásticas como hoje e, ainda assim, continuam insatisfeitas consigo. Tanto é verdade que a indústria de cosméticos vem registrando alta no mercado mundial por 14 anos consecutivos, com lucros de até 23 bilhões anuais.
          Aqui no Brasil a situação é gritante. As brasileiras são as que mais idealizam cirurgias plásticas motivadas por razões estéticas. Uma pesquisa feita pela Unilever em 10 países com 3,3 mil mulheres mostra que as brasileiras estão em primeiro lugar entre as que desejam passar por esse procedimento. Para 63% delas, realizar uma lipoaspiração é um sonho! Um sonho? Assim sendo já dá para se ter noção do quanto as brasileiras sonham baixo...
          É claro que o fator beleza conta mas não deve ser o primordial, porque se for, acontece o que vemos hoje: o exterior, glorificado e cultuado pela mídia, pelas novelas e programas de TV, os quais ensinam às crianças e adolescentes que bonita é a moça de peitos fartos e uma bunda redonda como uma bola, assim como atraente é o rapaz com barriga escultural. Essa mesma mídia tem nos imposto que o legal é descartar, ela tem repetido em nossas mentes – direta ou indiretamente – alguns questionamentos: se a namorada engordou, se o marido está ficando calvo, por que, afinal, tenho que continuar com ela? Por que tenho que continuar com ele?
           As redes sociais foram, em minha opinião, as maiores impulsionadoras desse modelo que aí está hoje. Pois disseminaram muito mais rapidamente essa ditadura da beleza. Não é necessário nem entrar em detalhe. Beleza virou regra. Quanto mais bonita for uma mulher, menos ela precisa se esforçar para ter uma vida de regalias.
           Estamos no período da vigorexia, que nada mais é do que a busca insaciável pelo corpo perfeito, malhado e escultural. Hoje vale mais a aparência do que a essência, o status em detrimento do conhecimento. Nesse sentido, quem tem um corpo bonito tem mais destaque na mídia, na roda de amigos ou até mesmo no trabalho, pois a aparência é o que conta.
           Aqui no Brasil nossas emissoras infelizmente são os agentes que massificam essa ideologia de forma subliminar, através de programas como Big Brother Brasil, o Pânico na Band, as novelas da Globo, Domingão do Faustão e todos os programas que usam bailarinas com bundas gostosas pra ficarem dançando em segundo plano. 

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