A honra da palavra..

           Estava na monotonia do lar. Os ecos da folia retumbavam nos arredores. Foi quando parou pra pensar no que fazer naquele momento.
Sua intenção inicialmente era subir no pizzaiolo que mora logo acima e assim o fez: tomou um banho, vestiu a roupa limpa e subiu com um pouco de dinheiro no bolso da calça.
           No caminho ele escutava a podridão intelectual das melodias que a cidade inteira era obrigada a ouvir e começou a refletir (mais do que já estava habituado). Ao chegar na casa do amigo pizzaiolo, não havia ninguém. Ele ficou sem graça pois não queria desonrar o compromisso que havia feito consigo próprio. Mesmo contrariando a razão dirigiu-se rumo ao furdunço e à perdição que concentrava toda a pequena cidade em algumas dezenas de metros quadrados.
           Porém mais uma vez ele parou pra analisar o que estaria fazendo e realmente sentia que aquilo não era o melhor. E realmente estava certo, pois à princípio passou por um teste de vergonha na cara. Aquilo foi tentador mas era algo errado (sim, o carnaval é a síntese do caos cultural que passamos hoje). Ele foi forte e seguiu andando e a cada metro que se aproximava da entrada ele sentia que entrar ali seria uma tremenda duma bobeira sem falar na desonra que cometeria.
           Mas não foi dessa vez. Quando ele se aproximou o máximo que podia, ele respirou fundo, pensou, olhou para baixo e por fim, retornou para casa. Voltou certo de que estava sendo verdadeiro com seus valores mais profundos e não contrariou o que prometera.
           Se sentiu realmente só pois sabia que quase todos os seus amigos estavam lá. Muitos até o chamaram para ir mas ele, mostrou absolutamente, que ele consegue honrar uma palavra. Só dependia dele decidir entre um SIM ou um NÃO. Dessa vez ele tinha total controle da situação. E teve a decisão de um verdadeiro conservador. Ao chegar em casa ele ficou feliz pela decisão. Foi fazer uma crônica em seu livro digital e depois foi descansar.

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