Ou ambição gigante ou orgulho ultrapassado...

          por Paulo Octávio

          Esses dias pra trás eu voltava pra casa em minha moto e parei na porta do colégio em que estudei durante o ensino médio, o Colégio Dinâmico, pra conversar com um dos vigias que lá trabalha. Dessa vez eu encontrei o Oliveira, um rapaz que eu tenho imensa consideração. Não conheço ele a fundo, mas um tanto bom pra saber que ele possui grandes qualidades.
          Numa parte da conversa fomos falar a respeito do filho de um outro funcionário do Colégio, o Juruna. Ele é zelador e tem um filho que estudou no colégio na mesma época em que eu fui aluno, e atualmente o jovem é um médico recém-formado em alguma universidade pública por aí.
          Fiquei entristecido quando na conversa foi dito que o Jovem se recusou a trabalhar em um hospital por um salário "medíocre" de vinte e cinco mil reais. É isso mesmo. Não estou mentindo.
          Em pleno Brasil, onde o serviço público recruta escravos, aliás, médicos cubanos pra suprir a demanda e escassez de médicos, precisamos mais do que nunca dessa classe da sociedade para amparar os enfermos de uma população cada vez maior. O grande problema ao meu ver é que essa classe é dura de negociar, em outras palavras, ela exige demais financeiramente. É fato que bons médicos merecem prosperar. Entretanto são justamente os médicos que tem um dos maiores compromissos humanitários e isso a própria cartilha da ética médica descreve muito bem descrito.
          Acho que há, como a exemplo do jovem citado, diversos outros médicos que enxergam muito mais os cifrões por trás do diploma, ofuscando o comprometimento humanitário que a profissão requer em sua essência. Ser médico é uma tarefa muito difícil, sabemos, mas como dito anteriormente, é uma profissão de sacrifícios pois a cura de um enfermo deve ser uma prioridade acima de todas as outras, principalmente a financeira.
          Por isso enxerguei certo exagero no fato do médico recusar tal proposta sendo que com a metade do que ele ganharia, já daria pra ele viver muito bem financeiramente sem comprometer a qualidade do seu trabalho, ou seja, continuaria salvando vidas e curando enfermos, ao mesmo tempo que tornaria os preços de seus serviços mais acessíveis e isso é justo pois feliz de qum consegue ganhar míseros doze mil reais hoje. Tem que ser um profissional muito bom!
          Pode até ser que o jovem tenha competência para tal salário, porém são praticamente todos os médicos recém-formados que já querem ganhar um salário dessa grandeza pra começo de carreira. Tanto é verdade, que muitos já pensam nesse quesito como maior justificativa pela sua profissão. Mas nenhum médico tem coragem de assumir. Eu duvido que pelo menos metade dos estudantes que prestam vestibular todos os anos pra medicina não estão visando uma vida de muita riqueza, luxúria e a desgraça do século chamada status social, que é um conceito rodeado de injustiça.
          Consequentemente, a realidade que presenciamos refletem bem isso. As novas "safras" de médicos pendem cada vez mais a balança pro lado dos benefícios próprios. Alguns médicos canalhas, como já visto até pelos noticiários, superfaturam até em cima de pessoas com baixo poder aquisitivo, como mostrarei nos links abaixo. Isso é ser humanitário?
          Por incrível que pareça, até os estudantes universitários de medicina (claro que não são todos), em qualquer universidade brasileira, tem um ar de superioridade relativa que denota uma grave ausência de espírito humano e principalmente de humildade. Tudo isso pelo fato dos vestibulares de medicina serem os mais concorridos. Tem base? Isso é um tiro no pé, pois agindo assim, a classe médica só ganhará o ódio daqueles que observam tais fatos.
       
          Findada a conversa, debatemos mais um pouco alguns assuntos e, com vontade de ficar mais, mas com compromisso marcado com a namorada, despedi do Oliveira e dos amigos que também entraram na roda pra escutar a conversa, montei na moto e saí um pouco triste...



links sobre esquemas de superfaturamento que circulam na internet









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