Mídias sociais, uma mera ilusão contagiante

por Paulo Octávio Tassinari Caixeta

          As mídias sociais hoje conseguem deixar muita gente presa boa parte do dia à tela de um celular compartilhando de tudo, desde informações que são relevantes até o pior dos conteúdos que se pode esperar de uma mente humana. Essa mídia atual dita as regras comportamentais e afeta de forma negativa a maneira como as pessoas passam a enxergar a realidade.
          Já fui usuário do Facebook e depois que decidi abandoná-lo minha vida mudou (na verdade voltou a ser autêntica) pois novamente voltei para a realidade e me desfiz de diversos valores que ela estimula e que inconscientemente vamos aceitando, como o egocentrismo, a obsessão pela fama e a banalização do valor real da amizade.
          Admito que as mídias sociais são o portal de entrada para aqueles que aspiram fama. Entretanto, o conceito de fama hoje, não é mais o mesmo. Se a fama era tradicionalmente relacionada ao respeito, hoje tal conexão é inválida. O respeito representa o reconhecimento por grandes méritos alcançados e até então a fama era vinculada a alguém respeitado por sua excepcionalidade. Hoje, porém, a fama é também atribuída a pessoas sem talentos (ou que têm dom para coisas imorais e fúteis), o que não motivaria o respeito alheio em épocas passadas.
           E o que não falta hoje é espaço para qualquer indivíduo colocar o que bem quiser na web e assim como eu estou postando esse texto para qualquer leitor interessado ler, um exército de internautas estão postando suas intimidades, pensamentos medíocres e coisas irrelevantes para terceiros. Naturalmente como é mais difícil criar algo educativo e que agregue valor intelectual, a massa nacional opta pelo lado inverso dessa lógica, colocando os piores e mais pobres conteúdos, além de buscarem a auto-promoção visando apenas duas coisas: FAMA e ATENÇÃO.
          Aqui no Brasil, onde a qualidade da educação é uma das piores do planeta (veja os números na internet se estiver duvidando) é normal que o que predomine nos principais meios de comunicação seja um conteúdo de baixa qualidade educacional ou informativa. Aqui nesse país mais vale ver rabos desfilando no Big Brother do que assistir ao programa Mesa Redonda ou a TV Senado, por exemplo.
          Dentro das mídias sociais vemos e convivemos diretamente com pessoas que se expõem ao mundo através das redes sociais, mostrando o quanto são consumistas e(ou) vaidosas. Vemos diversas pessoas que criam um perfeccionismo hipócrita sobre sua vida real. E isso vai ficando comum. São tantos "amigos" virtuais! Quantos será que são amigos de fato mesmo?
          Onde está o verdadeiro prazer em tudo isso? Para mim, o bom da vida é estar presente com alguém que amamos ou estar feliz consigo próprio sem deixar de cumprir com as responsabilidades profissionais. Curtir a vida não é somente ficar horas e horas navegando em um mundo virtual. Há tantas coisas para se conhecer e ver pelo mundo afora. E há muita gente enriquecendo a custa de internautas que ficam despreocupados com a realidade e imersos nesse mundo de fotos, falsas-verdades e muita, muita futilidade.

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