A face escura das redes sociais

por Paulo Octávio Tassinari Caixeta

Quando eu era adolescente eu não gostava das redes sociais. Na verdade eu procurava fazer coisas que me trouxessem mais benefícios e sempre fui defensor do contato físico e da conversa. Isso era por volta de 2004, época em que o site Orkut invadia o Brasil. Quem gostava bastante dessa nova maneira de se socializar eram as jovens mais vaidosas. As moças mais bonitas e por isso, mais atraentes, eram as que mais se dedicavam a esse novo universo, repleto de fotos perfeccionistas e ousadas, que para terem repercussão tinham que estar impecáveis. Beleza era em toda e qualquer rede social uma obrigação e não uma alternativa. E até hoje é.
No Brasil foi por volta dessa época que sites sociais, em especial o Orkut, tiveram seu crescimento acelerado e se disseminaram como um vírus potente pelo país. Lembro-me perfeitamente, mesmo morando no interior, que em qualquer residência que tivesse acesso à internet e adolescentes morando nesse lugar, com certeza ali teria um usuário do Orkut. A coisa ficou tão séria que na escola em que eu estudava as meninas falavam diariamente dos fatos que aconteciam em seus perfis. Falavam das cantadas que recebiam nos chats e dos comentários dos “garanhões” sobre suas fotos. Davam muito valor nesse universo virtual. Impressionante. E nos dias de hoje a lógica é a mesma. A diferença é que estamos em 2013.
Algo que me impressiona bastante hoje são os efeitos negativos dessa nova forma de se sociabilizar. Isso é o que fui observando com o decorrer do tempo. Por causa desses efeitos é que eu tenho o mesmo conceito de antigamente: desgosto.
 Os sites de relacionamento estimulam o apelo à beleza exterior. E beleza não deve ser, em hipótese alguma, critério de aceitação social. Ninguém tem culpa se nasceu sem boa aparência. É claro que a beleza é um fator de relevância, mas não é fundamental.
Além disso, em redes mais modernas, como o caso do facebook, que é a mais popular atualmente, há um grande incômodo com relação às postagens de conteúdo feitas por nossos amigos virtuais. Há pessoas que acabam colocando no ar fatos pessoais e ideias fúteis que não têm relevância alguma e que serão vistas por “trocentas” pessoas. Junto vêm aquele monte de propagandas que não acabam mais, e por aí vai. E aí vão juntando esses e outros fatores que vão, lentamente, fazendo com que os usuários se saturem e abandonem o site (foi o que aconteceu comigo), ou então partam pra outro mais novo e diferente.
É bastante comum encontrar também nesse universo aquelas pessoas que adoram estar “elitizadas” socialmente. Tirar fotos nos melhores lugares, com as melhores roupas e as bebidas mais caras e requintadas. Isso me lembra muito o “rei do camarote”. O que dizer então daqueles que mal têm condição pra manter suas despesas ou que são totalmente dependentes de seus pais e exigem deles os objetos mais caros como se isso fosse obrigação? Muitos não querem nem saber se o pai ou mãe está em condições de poder dar-lhes o que querem. Diante do exposto, acho totalmente aceitável afirmar que a rede social alimenta esse pensamento podre de que ser elitizado é necessário pra ser aceito socialmente. Aqui está um dos motivos que explicam o quanto os jovens são cada vez mais consumistas e exigentes.
Acho também que as redes sociais, indiretamente, contribuem para que exista uma disputa pela popularidade, já que espiar a vida alheia é uma mão na roda para que a inveja se propague. No caso feminino, como quase toda mulher gosta de ouvir elogios, o que elas mais querem em sites sociais é expor sua beleza exterior e matar aquele desejo vicioso pela fama, através das “curtidas” que recebem (mais uma vez ressalto que não são todas as mulheres que têm esse hábito). Isso mexe principalmente com o orgulho da pessoa. Sem querer ela quer cada vez mais atenção nas redes e por consequência fica cada vez mais preocupada com a aparência, pois, repetindo, esse critério é uma exigência aqui no país da cultura da bunda. E, dependendo da fama que ela própria reconhece ter, por vezes se esquece de que os valores que mais engrandecem um ser humano são a simplicidade, a gentileza e a humildade.
E viver sem depender desse mundo virtual nos deixa mais atentos para as coisas mais significantes e prazerosas da vida, como nossa família, os verdadeiros amigos, o esporte, etc. A fama é algo passageiro. Um dia ela acaba e quem depende unicamente dela para se sentir melhor pode se embaraçar no futuro.

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